sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Swami Sri Yukteswar - A Encarnação da Sabedoria


Esta postagem é dedicada ao Swami Sri Yukteswar Giri, um dos maiores santos da nossa época. Tem sido uma bênção para a minha vida para estar em contato com uma grande linha de mestres espirituais. Eu sempre senti uma grande sintonia com Swami Maharaji.  Sri Yukteswar Sri Yukteswar, (cujo verdadeiro nome monástico e correto era - Sri Yukteswar e de acordo com os seus discípulos indígenas Sriyukteshwar ) nasceu em 1855 e, naquela época, seu nome secular foi Priya Nath Karar. Principalmente lembrado graças a sua compreensão incomum da natureza da consciência, Swami Maharaji pode ser considerado como uma "Jnanavatar", isto é uma encarnação da sabedoria. 
Seu nome monástico, Yukteshwar, significa: união com Ishvara (o aspecto de Deus que controla a natureza do ser). 
Ele nasceu de pais ricos e, durante a sua vida adulta, ele se casou e investiu seu patrimônio em propriedades. Ele não era um homem rico, mas as propriedades deram -lhe a possibilidade de ter uma renda regular modesta. Ele entrou na ordem Swami após a morte de sua esposa, e daquele momento em diante, dedicou sua vida a estudar, aprender e ensinar. 



Ele dividiu o seu tempo entre dois ashrams: um em Puri e um em Serampore. Sri Yukteswar não conheceu o seu guru Chyama Charan Lahiri na infância. Ele foi iniciado por ele na prática de Kriya Yoga em sua vida adulta, e, posteriormente, autorizado a dar a iniciação em Krya Yoga também. Entre seus discípulos, Sri Paramahansa Yogananda, Sri Satyananda e Paramahansa Hariharananda são os mais famosos. Paramahansa Yogananda, poucos dias antes de sua mahasamadhi (saída consciente do corpo - 1952), estava de pé na frente da imagem do Sri Yukteswarji juntamente com um discípulo dele. Este último disse: Ele deve ter sido um grande homem! Yogananda respondeu: Ele não era um homem, ele era um Deus! Swami Maharaji conscientemente deixou seu corpo quando ele tinha 81 anos, enquanto meditava na postura de lótus. Seu corpo ainda está enterrado em seu Ashram, onde um santuário foi construído. Seu túmulo pode ser visitado ainda hoje. Yogananda disse uma vez que se as palavras de Yukteswarji não tivessem sido tão sinceras, ele teria sido o Guru mais seguido de toda a Índia. Yogananda estava ciente de qualquer maneira que os grandes mestres (dos quais ele foi um) olhar para a qualidade ao invés de quantidade, era um princípio. O enorme amor que  Yogananda sentia por seu Guru pode ser sentida ao ler sua obra-prima "Autobiografia de um Iogue" - Publicado por Fellowhip Self-Realization. Este livro, escrito originalmente em 1946, tem sido considerada como um dos mais belos livros sobre yoga há anos.
Sri YukteswarSwami Maharaji não escreveu muito durante sua passagem na Terra. Apenas dois livros escritos por ele são conhecidos: The Science Sants - escrito em 1894 e um comentário sobre os primeiros capítulos do Bhagavad-Gita. A "ciência sagrada" foi escrito depois que o próprio Babaji pediu a Yukteswarji para completar um trabalho mostrando as verdades eternas e semelhanças escondidas nas religiões cristãs e hindus. Esta tarefa foi realizada perfeitamente, e, ainda hoje, este livro é publicado pela Self-Realization Fellowship em muitas línguas, entre os quais Inglês, Francês, Italiano e Japonês. Os mesmos livros contém uma grande interpretação astrológica sobre o desenrolar da evolução do universo.
Sri Yukteswar, após muitas pesquisas descobriu um erro no almanaque hindu. Ele disse que há um ciclo equinocial de 24.000 anos por meio do qual a evolução do universo se desenrola. cada ciclo é chamado de " Yuga ". A evolução se desenrola de época para época, como um círculo. "Kali Yuga" é o período de ignorância, com duração de 1.200 anos, "Leão de Bengala" (mais ou menos de 500 ac a 1.700 ac). Dwapara Yuga é a era elétrica, com duração de 2.400 anos (mais ou menos 1.700 - 4,100 ac). Treta Yuga, idade mental, com duração de 3.600 anos (mais ou menos 4.100 - 7.700 ac). Satya Yuga será a idade mais evoluída, com duração de 4.800 anos (a partir de 7.700 ac a 12.500 ac). Neste ponto, a involução começa, e tem lugar numa ordem inversa. (Satya Yuga de 12.500 para 17.300 ac, Treta Yuga de 17.300 ac a 20.900 ac, Dwapara Yuga de 20.900 ac a 23.300 ac, Kali Yuga de 23.300 ac a 25.500 ac). Este processo é praticamente infinito. Quanto mais uma época evolui, mais fácil é para as pessoas obterem a libertação do ciclo de morte e renascimento .. Eu humildemente peço perdão porque o meu entendimento destas questões não é alta o suficiente para compreender todos os significados ocultos além das palavras do Mestre e estou ciente de que minha explicação pode ser um pouco inadequada. Por outro lado, não posso deixar de incentivar você a ler o livro principal do Sri Yukteswarji (A Ciência dos Santo) que, penso eu, é o mais bonito sobre religião universal que você pode encontrar em todo o mundo. Eu me lembro que eu fiquei bastante assustado a primeira vez que eu li. Um amigo meu me fez perceber que de qualquer maneira não só de amor e doçura nasce um santo realizado. Pode parecer difícil de entender, especialmente para pessoas que tendem a ver o amor e a compaixão como os únicos atributos da divindade, mas o poder de Deus cria e destrói mundos, e essa força tremenda é claramente visível no olhar de Sri Yukteswar.




O episódio de fim abrupto da educação Colégio de Priya Nath, acima referido, pode ser de interesse, pois isso teria dado um insight a Sri Yukteswar em Samadhi composição mental do homem destinado a ser um líder religioso e espiritual famoso que ele se tornou em vida e após a morte. Um dia, ele estava ouvindo uma palestra em uma aula de Física. O professor foi explicar as funções do olho humano e comparando-o com as funções de uma câmara fotográfica simples. Ele explicou que os raios de objetos externos, depois de passar através da lente do olho formado imagens invertidas reais na retina, e que o mesmo é visto pelo indivíduo como é devido a "impressão visual. Priya Nath não podia apreciar a forma como a imagem invertida formada sobre a retina não poderia vista como é, Ele se levantou e perguntou o professor, que repetiu o que havia dito anteriormente. Mas isso não poderia satisfazer a curiosidade de Priya Nath, ele repetiu a pergunta em que o professor ficou irritado e disse que, se suas explicações não foram compreendidas era assim que os alunos teriam que aceitar. Um jovem muito sério como Priya Nath essa tal observação rude e injustificada do professor era provocação suficiente para sair da classe. Ele não só deixou a classe, mas ele deixou também o Colégio. Isso, no entanto, não significa que todas as portas do conhecimento da ciência moderna haviam sido bloqueada para ele. Ele se aproximou do diretor da Calcutta Medical College e por solicitações persistentes convenceu-o a dar-lhe permissão para frequentar as aulas em disciplinas científicas como a Física, Química, Biologia, Fisiologia, Anatomia e afins nesse College. Ele não estava se preparando para se tornar um médico, portanto, não havia necessidade de aparecer para os exames ou na sequência do currículo da faculdade de medicina. Ele frequentou as classes para adquirir conhecimento, às vezes ele participou de aulas sobre o mesmo assunto mais de uma vez, quando ele sentiu que precisava entender um ponto de forma clara e rigorosa. Frequentou várias classes na Faculdade de Medicina por cerca de dois anos e adquiriu conhecimento razoável sobre os temas acima mencionados.

História sobre Sri Yukteswar


Diz-se que Swami Sri Yukteshvar ao mesmo tempo tinha escrito um comentário espiritual sobre a Bíblia, que, no entanto, não foi publicado. Uma vez que ele falou sobre o assunto com um senhor francês que estava em alguma posição oficial da administração da colónia francesa de Chandernagore com quem tinha amizade. Este francês ficou muito impressionado com o que ouviu e queria ler os manuscritos. Por conseguinte, os manuscritos foram entregues a ele.
Quando os dois se encontraram outra vez o francês manifestou que tinha sido oprimido pelo que tinha lido, exclamando: "Você vai revolucionar toda a cristandade, uma vez que estes sejam publicados." Ele propôs que fosse permitido levar os manuscritos para a França, onde gostaria de mostrar estes para os estudiosos de lá, durante a sua próxima ida à Fança, prometendo trazê-los de volta no retorno. Sri Yukteshvar concordou, mas ele não voltou com os manuscritos, o francês nunca mais voltou para a Índia.
Os manuscritos de valor inestimável foram, assim, perdidos para o futuro. Ninguém sabe sobre os comentários do manuscrito eram, Sri Yukteshvar nunca discutiu o assunto com ninguém. No entanto, ele legou ao mundo a Santa Ciência.

Diz-se que Swami Maharaj costumava dizer o seguinte aos discípulos no início:
"Ouvi isto:-  Você nunca deve pensar que você vai ser libertado pelo toque, ou que um carro estará pronto para levá-lo para o céu. Você nunca deve! Esforce-se para obter esta FORMA DE PENSAR EM DIREÇÃO AO CÉU.
O toque de iniciar do Guru, apenas contribui para incentivar a realização. Você mesmo tem que praticar com a maior sinceridade para alcançar a meta divina e esta será através de seu próprio auto esforço.

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Pensamentos de Huberto Rohden



Quem é iluminado por dentro,
Parece escuro aos olhos do mundo.
Quem progride interiormente,
Parece ser um retrógrado.
Quem é auto-realizado,
Parece um homem imprestável.
Quem segue a luz interna,
Parece uma negação para o mundo.
Quem se conserva puro,
Parece um bobo e simplório.
Quem é paciente e tolerante,
Parece um sujeito sem caráter.
Quem vive de acordo com o seu Eu espiritual,
Passa por um homem enigmático.
Huberto Rohden




"Quando se descobre o reino dos ceus,ignora-se os reinos da terra."
Huberto Rohden


A alternativa da vida humana não é sofrer por não sofrer - o grande problema é saber sofrer.


Quem se identifica com o seu corpo é um analfabeto da sabedoria - quem se identifica com sua alma é um sábio.
Huberto Rohden


Saber que o sofrimento pode ser o caminho para a felicidade faz sofrer com serenidade e amor.
Huberto Rohden


Quem vê no sofrimento um meio para ultrapassar as futilidades da vida, é um iniciado.
Huberto Rohden


Deve o homem entrar, cada dia, por meia hora, no silêncio de dentro e fechar todas as portas aos ruídos de fora.
Huberto Rohden


..."Por isso, meu eterno e indefinível Anônimo, sinto-me feliz em integrar a pobre gotinha do meu pequenino Eu humano no mar imenso do teu grande Tu divino."...
Huberto Rohden



À luz da Cruz de Cristo resolvo todos
os problemas da vida e da morte.
Huberto Rohden

O Silêncio nada mais é que a lamentação de quem o proclama para aqueles que não o entendem.
Huberto Rohden




Quem descobre a verdade sobre si mesmo, liberta-se de todas as inverdades e ilusões. Liberta-se, do egoismo, da ganância, da luxúria, da vontade de explorar, de defraudar os outros. Liberta-se de toda a injustiça, de toda a desonestidade, de todos os ódios e maledicências de todo o mundo caótico do velho ego.
Huberto Rohden

Não sou melhor porque me louvam, nem sou pior porque me censuram - sou, na verdade, o que sou a Teus olhos, Senhor, e à luz da minha consciência.
Huberto Rohden


Nada pode o mundo esperar de um homem que algo espera do mundo – tudo pode o mundo esperar de um homem que nada espera do mundo.
Huberto Rohden


Ser bom, não quer dizer ser bonachão, nem bonzinho, nem bombonzinho. Para ser realmente bom deve o homem estar em perfeita harmonia com as leis eternas da verdade, da justiça, da honestidade, do amor, da fraternidade, e viver de acordo com esta sua consciência.
Huberto Rohden


Somente o conhecimento da verdade sobre si mesmo é libertador; toda e qualquer ilusão sobre si mesmo é escravizante.
Huberto Rohden


Não há evolução sem resistência. Tudo que é fácil não é garantido. Toda evolução ascensional é difícil, exige luta, sofrimento, resistência. Estagnar é fácil. Descer é facílimo. Subir é difícil.Toda a evolução é uma subida, e sem subida não há iniciação.
Huberto Rohden


No meu intimo ser eu sou o que Deus é, por isso no meu externo agir, quero também agir assim como Deus age.
Huberto Rohden



O Universo nunca é só Uno nem só Verso – é sempre Uni-verso.
Huberto Rohden


Entrevista com Huberto Rohden



ENTREVISTA

Visão-O senhor tem dedicado boa parte do seu tempo aqui na Alvorada,enfatizando a diferença entre a instrução e a educação...

Rohden- Não,não é bem isso. Tenho falado unicamente sobre autoconhecimento e auto-realização da natureza humana.Isso inclui tudo e vai muito além da educação. Nós temos que nos realizar. Somos embrionários;"sementes" humanas. Falando simbolicamente,temos que realizar a nossa "semente" humana em forma de uma perfeita "planta".
Por tanto,no Centro Auto-Realização Alvorada,cuidamos do auto conhecimento da natureza humana e sua auto-realização na vida prática. Temos que saber que somos e temos que viver de acordo com aquilo que somos. O homem deve realizar-se. Ele não é realizado;é apenas realizável.
Da auto-realização fazem parte duas coisas;tanto a instrução na ciência como a educação na consciência. O governo só pode instruir na ciência;não pode educar na consciência. A educação da consciÊncia é do foro íntimo do indivíduo. Temos um Ministério da Instrução; não temos um Ministério da Educação.
Não existe nenhum ministério da educação em nenhum pais; nem pode existir. Não devemos confundir instrução com educação. A educação é muito mais profunda do que a instrução. A instrução é da inteligência.;a educação é da consciência. A instrução faz o homem erudito; a educação faz o homem bom. Ambas são necessárias, mas a mais importante é a educação da consciência.
Huberto Rohden


Visão-Então, ao contrário do que se supõe hoje em dia, a educação é uma atividade individual?

Rohden- É iminentemente individual. Não pode ser uma atividade social. Ela se reflete na sociedade, mas está radicada no indivíduo. Só existe auto-educação; não existe alo-educação(educação de fora para dentro). Ou o homem se educa ou não se educa. Outros não podem educar-me, só podem mostrar me o caminho pelo o qual eu possa me educar.
Huberto Rohden

Visão- Essa é, a função do mestre- mostrar?

Rohden- Sim. O mestre é um guia. O educador pode mostrar ao educando o caminho por onde o educando se pode auto-educar. Há muita confusão hoje em dia sobre a educação. Entre centenas de livros sobre a educação, mal encontrei um que possa aprovar integralmente. Alguns têm coisas boas, mas não frisam a coisa essencial que é a auto-educação.
Huberto Rohden

domingo, 8 de setembro de 2013

Huberto Rohden - Um Pensador do Brasil

Huberto Rohden (São Ludgero, 31 de dezembro de 1893 — São Paulo, 7 de outubro de 1981) foi um filósofo, educador e teólogo catarinense, radicado em São Paulo. Filho de Johannes Rohden e de Anna Locks.

Precursor do espiritualismo universalista, escreveu mais de 100 obras (ao final da vida, condensadas em 65 livros), onde franqueou leitura ecumênica de temáticas espirituais e abordagem espiritualista de questões pertinentes à Pedagogia, Ciência e Filosofia, enfatizando o autoconhecimento, auto-educação e a auto-realização. Propositor da filosofia univérsica, por meio da qual defendia a harmonia cósmica e a cosmocracia: autogoverno pelas leis éticas universais, conexão do ser humano com a consciência coletiva do universo e florescimento da essência divina do indivíduo, reconhecendo que deve assumir as conseqüências dos atos e buscar a reforma íntima, sem atribuir à autoridade eclesiástica o poder de eliminar os débitos morais do fiel.



    Traço marcante no pensamento de Huberto Rohden na Filosofia brasileira do século XX é a acentuada preocupação com controvérsias do campo da Ética e da Pedagogia, próprias da sociedade moderna, e o estudo da metafísica fundamentado na análise comparada de religiões e filosofias espiritualistas do Ocidente e Oriente.
    Atualmente publicados pela Editora Martin Claret (São Paulo), os livros foram também editados pelas editoras Vozes (Petrópolis), União Cultural (São Paulo), Globo (Porto Alegre), Freitas Bastos (Rio de Janeiro) e Fundação Alvorada (São Paulo), entre outras.
    Padre jesuíta durante o início da carreira literária, graduou-se em Ciências, Filosofia e Teologia pelas Universidades de Innsbruck (Áustria), Valkenburg (Holanda) e Nápoles (Itália).
    Fundador da Instituição Cultural e Beneficente Alvorada (1952), lecionou na Universidade de Princeton (Estados Unidos da América), American University, de Washington D.C. (EUA), e na Universidade Mackenzie (São Paulo, SP). Proferiu palestras nos Estados Unidos, Índia e Portugal.
    Tradutor do Novo Testamento, da Bhagavad Gita e do Tao Te Ching, preocupou-se em editá-los a preços populares, de modo que facilitasse a democratização do conhecimento. Ao longo da vida revisou, atualizou e reescreveu o conjunto dos escritos.
    Foi biografado por Zoraida Hostermann Guimarães em Um Pilar de Luz no Cosmo (2000), da Editora Lunardelli (Florianópolis, SC).


Pioneirismo

    Nas obras de meados do século XX, Huberto Rohden já abordava temas que só a partir do final daquele século começariam a se tornar recorrentes na literatura espiritualista brasileira: a cidadania e a consciência cósmicas; a auto-educação como principal meio de auto-iluminação; a cosmocracia (autogoverno de acordo com a Ética universal); a felicidade via exercício contínuo do autoconhecimento e auto-realização; a espiritualidade de cunho laico, temporal, ecumênico e universalista.
    A mensagem de sua obra é tornar o homem consciente de sua condição de um ser inteligente, espiritual e integral em rumo de sua evolução, sua filosofia tem um viés de uma reforma interior em que o ser para encontrar sua paz e felicidade necessita conscientizar de seu eu-crístico ou eu-cósmico,teses geradas pela Filosofia Univérsica, a qual dirijiu por muitos anos.
    Apesar de ser, como intelectual, o principal precursor brasileiro do espiritualismo universalista e de ter obras com boa distribuição e a preços populares, ainda é pouco conhecido e divulgado, na comunidade espiritualista do Brasil, o papel pioneiro de Huberto Rohden no âmbito do espiritualismo universalista.

Bibliografia (estudos e traduções)
Coleção Filosofia Universal

    O Pensamento Filosófico da Antigüidade
    A Filosofia Contemporânea
    O Espírito da Filosofia Oriental

Coleção Filosofia do Evangelho

    Filosofia Cósmica do Evangelho
    O Sermão da Montanha
    Assim Dizia o Mestre
    O Triunfo da Vida sobre a Morte
    O Nosso Mestre

Coleção Filosofia da Vida

    De Alma para Alma
    Ídolos ou Ideal?
    Escalando o Himalaia
    O Caminho da Felicidade
    Deus
    Em Espírito e Verdade
    Em Comunhão com Deus
    Cosmorama
    Porque Sofremos
    Lúcifer e Lógos
    A Grande Libertação
    Bhagavad Gita (tradução)
    Setas para o Infinito
    Entre Dois Mundos
    Minhas Vivências na Palestina, Egito e Índia
    Filosofia da Arte
    A Arte de Curar pelo Espírito (tradução do original de Joel Goldsmith)
    Orientando
    "Que vos parece do Cristo?"
    Educação do Homem Integral
    Dias de Grande Paz (tradução)
    O Drama Milenar do Cristo e do Anticristo
    Luzes e Sombras da Alvorada
    Roteiro Cósmico
    A Metafísica do Cristianismo
    A Voz do Silêncio
    Tao Te Ching (tradução)
    Sabedoria das Parábolas
    O 5o. Evangelho Segundo Tomé (tradução)
    A Mensagem Viva do Cristo (Os Quatro Evangelhos) (tradução)
    Rumo à Consciência Cósmica
    O Homem
    Estratégias de Lúcifer
    O Homem e o Universo
    Imperativos da Vida
    Profanos e Iniciados
    Novo Testamento (tradução)
    Lampejos Evangélicos
    O Cristo Cósmico e os Essênios
    A Experiência Cósmica

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Confúcio, também conhecido como K'ung Ch'iu,

 

Nascimento e juventude

Confúcio, também conhecido como K'ung Ch'iu, K'ung Chung-ni ou Confucius, nasceu em meados do século VI ac, em Tsou, uma pequena cidade no estado de Lu, hoje Shantung. Segundo algumas fontes antigas, teria nascido em 552 ac (ou seja, no vigésimo primeiro ano do duque Hsiang).Esse estado é denominado de "terra santa" pelos chineses. Confúcio estava longe de se originar de uma família abastada, embora seja dito que ele tinha ascendência aristocrática. Seu pai, Shu-Liang He, antes magistrado e guerreiro de certa fama, tinha setenta anos quando se casou com a mãe de Confúcio, uma jovem de quinze anos chamada Yen Cheng Tsai, que diziam ser descendente de Po Chi'in, o filho mais velho do Duque de Chou, cujo sobrenome era Chi.
Dos onze filhos, Confúcio era o mais novo. Seu pai morreu quando ele tinha três anos de idade, o que o obrigou a trabalhar desde muito jovem para ajudar no sustento da família. Aos quinze anos, resolveu dedicar suas energias em busca do aprendizado. Em vários estágios de sua vida empregou suas habilidades como pastor, vaqueiro, funcionário e guarda-livros. Aos dezenove anos se casou com uma jovem chamada Chi-Kuan. Apesar de se divorciar alguns anos depois, Confúcio teve um filho, K'ung Li.

Viagens

Confúcio viajou por diversos destes reinos, esteve em íntimo contato com o povo e pregou a necessidade de uma mudança total do sistema de governo por outro que se destinasse a assegurar o bem-estar dos súditos, pondo em prática processos tão simples como a diminuição de contribuições e o abrandamento das penalidades. Embora tentasse ocupar um alto cargo administrativo que lhe permitisse desenvolver as suas ideias na prática, nunca o conseguiu, pois tais ideias eram consideradas muito perigosas pelos governantes. Aquilo que ele não pôde fazer pessoalmente acabaram fazendo-o alguns dos seus discípulos, que, graças à boa preparação por ele ministrada, se guindaram, dia após dia, aos cargos mais elevados. Já idoso, retirou-se para a sua terra natal, onde morreu com 72 anos.
Confúcio é biograficamente, segundo o historiador chinês Sima Qian (século II a.C.), uma representação típica do herói chinês. Ele era alto, forte, enxergava longe, tinha uma barriga cheia de Chi, usava longa barba, símbolo de sabedoria, mas se vestia bem e era simples. Era também de um comportamento exemplar, demonstrando sua doutrina nos seus atos. Pescava com anzol, dando opção aos peixes, e caçava com um arco pequeno, para que os animais pudessem fugir. Comia sem falar, era direto, franco, acreditava ser um representante do céu.

Ideias

A sua ideologia de organização da sociedade procurava também recuperar os valores antigos, perdidos pelos homens de sua época. No entanto, em sua busca pelo Tao, ele usava uma abordagem diferente da noção de desprendimento proposta pelos taoístas. A sua teoria baseava-se num critério mais realístico, onde a prática do comportamento ritual daria uma possibilidade real aos praticantes de sua doutrina de viverem em harmonia.
Confúcio não pregava a aceitação plena de um papel definido para os elementos da sociedade, mas sim que cada um cumprisse com seu dever de forma correta. Já o condicionamento dos hábitos serviria para temperar os espíritos e evitar os excessos. Logo, a sua doutrina apregoava a criação de uma sociedade capaz, culturalmente instruída e disposta ao bem estar comum. A sua escola foi sistematizada nos seguintes princípios:
  • Ren, humanidade (altruísmo);
  • Li, ou cortesia ritual;
  • Zhi, conhecimento ou sabedoria moral;
  • Xin, integridade;
  • Zhing, fidelidade;
  • Yi, justiça, retidão, honradez.
Fotografia do túmulo de Confúcio em Qufu, Província de Shandong, China.
Cada um desses princípios ligar-se-ia às características que para ele se encontravam ausentes ou decadentes na sociedade.
Confúcio não procurou uma distinção aprofundada sobre a natureza humana, mas parece ter acreditado sempre no valor da educação para a condicionar. Sua bibliografia consta de três livros básicos, sendo que os dois últimos são atribuídos aos seus discípulos:
  • Lun yu (Diálogos, Analectos), no qual se encontra a síntese de sua doutrina.
  • Dà Xué (大学) (Grande Ensinamento) e
  • Zhong Yong (Jung Yung), ou a "Doutrina do Meio".
Após sua morte, Confúcio recebeu o título de "Lorde Propagador da Cultura Sábio Supremo e Grande Realizador" (大成至聖文宣王), nome que se encontra registado em seu túmulo.

Algumas Frases de Confucio

Nunca faças apostas, se sabes que vai ganhar ,é desonesto ,e se não sabes és um louco.

 O que destrói a criatividade é o senso do ridículo.

 O sábio envergonha-se dos seus defeitos, mas não se envergonha de os corrigir.

 O mestre disse: Não é grave se os homens não te conhecem, grave é se tu não os conheces.

Quem não é diligente na juventude terá velhice melancólica.


terça-feira, 19 de junho de 2012

Krishnamurti - Um Pensador

Quanto mais você está consciente de seus pensamentos-emoções, mais está ciente do seu ser completo. Então as horas de sono tornam-se uma intensificação das horas em vigília. Funções conscientes mesmo no assim chamado sono, das quais estamos bem cientes. Você pensa em um problema com muito afinco e mesmo assim não consegue resolvê-lo; você “dorme sobre ele”, frase que frequentemente usamos. De manhã descobrimos que suas saídas são mais claras, e parece que sabemos o que fazer; ou percebemos um aspecto novo dele que ajuda a esclarecer o problema. Por que isto acontece? Podemos atribuir-lhe muito mistério e despropósito, mas o que acontece? No assim chamado sono, a mente consciente, fina camada está quieta, talvez receptiva; ela preocupou-se com o problema e agora, estando consciente, está quieta, a tensão esvaneceu. Então as incitações das camadas mais profundas da mente são discerníveis e quando você acorda, o problema parece ter-se tornado mais claro e mais fácil de resolver. Portanto, quanto mais você está ciente de seus pensamentos-sentimentos durante o dia, não por uns poucos segundos ou durante um expediente, a mente torna-se mais calma, alerta, atentamente passiva, e assim capaz de responder e compreender as insinuações mais profundas. Mas é difícil estar tão cônscio; a mente consciente não é usada a tal intensidade. Quanto mais ciente a mente consciente, mais a mente interior coopera com ela, e assim há compreensão mais profunda e mais ampla.
 Muito tem sido escrito sobre a mente inconsciente, especialmente no Ocidente. Extraordinária importância lhe tem sido dada. Mas ela é tão trivial, tão rasteira quanto a mente consciente. Você pode observá-lo por si próprio. Se você observa verá que o que é chamado inconsciente é o resíduo da raça, da cultura, da família, de suas próprias motivações e apetites. Ela está lá, oculta. E a mente consciente está ocupada com a rotina diária da vida, indo ao escritório, sexo, e assim por diante. Dar importância a uma ou a outra parece absolutamente estéril. Ambas têm muito pouca importância, exceto que a mente consciente tem que ter conhecimento tecnológico para garantir uma subsistência.Esta constante batalha, ambas incluídas, no nível mais profundo assim como no nível superficial, é nosso estilo de vida. É um estilo de desordem, de confusão, contradição, miséria, e para uma mente presa a isso, tentar meditar é sem sentido, infantil.
Nós dividimos essa consciência em consciente e inconsciente. Estamos ocupados com um cantinho dela, o qual é a maior parte da nossa vida; e do resto estamos inconscientes, não sabemos nem mesmo como penetrá-lo. Nós o notamos somente quando há uma crise, quando há certa demanda urgente, uma determinada provocação imediata, que tem que ser respondida imediatamente, somente então agimos como entidades completas. Tendo dividido a mente em consciente e inconsciente, olhamos a partir do consciente – que é só uma pequena parte dela – no todo da mente. Agora o palestrante está perguntando: Existe tal coisa como o inconsciente, com certeza? Existe algo que esteja oculto, que tem que ser interpretado através de sonhos, mediante investigação, análise e assim por diante, que chamamos de inconsciente? Ou é apenas isso, porque você prestou atenção demais ao cantinho desse campo que chama de consciência e não prestou atenção ao campo inteiro, não está ciente de todo o conteúdo do campo. Para penetrá-lo muito cuidadosamente, você tem que olhar sua própria consciência. 
Vejam, nós só temos operado dentro da área do pensamento na medida do conhecimento. Certo? Existe outra parte, outra área da mente, a qual inclui o cérebro, que não seja tocada pelo esforço humano, dor, ansiedade, medo, e toda a violência, todas as coisas que o homem tem feito através do pensamento? A descoberta dessa área é a meditação. Isso implica a descoberta de se o pensamento pode chegar a um fim, mas ainda operar quando necessário, no campo do conhecimento? Precisamos do conhecimento, caso contrário não podemos funcionar, não seríamos capazes de falar nem capazes de escrever, e assim por diante. O conhecimento é necessário para o cérebro funcionar, e seu funcionamento torna-se neurótico quando o status torna-se de todo importante, o que é a entrada do pensamento como o “mim”, como status. Portanto o pensamento é necessário e, todavia a meditação é para descobrir, ou trazer à tona, ou observar, uma área na qual não haja nenhum movimento do pensamento. Podem os dois viver juntos, em harmonia, diariamente?
O cérebro tem capacidade infinita; ele é realmente infinito. Essa capacidade é hoje utilizada tecnologicamente. Tal capacidade tem sido usada para reunir informações. Essa capacidade tem sido empregada para armazenar conhecimentos – científicos, políticos, sociais e religiosos. O cérebro tem ficado ocupado com isso. Então, é precisamente essa função (essa capacidade tecnológica) que a máquina vai assumir. Quando isso acontecer, o cérebro – sua capacidade – vai encolher, assim como os meus braços se eu não os utilizar o tempo todo. A questão é: Se o cérebro não estiver ativo, se não estiver trabalhando, se não estiver pensando, o que acontecerá a ele? Ou ele mergulhará no entretenimento – e as religiões, os rituais e os pujas são entretenimentos – ou se voltará para a investigação interior. Essa investigação é um movimento infinito. Essa investigação é religião
 Os cientistas estão agora inventando a “máquina mais inteligente de todas”, um computador superior ao homem em todos os campos. Se a máquina pode superar o homem, então o que é o homem? O que é você? Qual é o futuro do homem? Se a máquina pode assumir todas as operações que agora pertencem ao pensamento, e fazê-las muito mais rapidamente, se pode aprender muito mais depressa, se pode competir com o homem e, de fato, fazer tudo o que o homem pode fazer – exceto olhar para a bela estrela vespertina, solitária no céu, ver e sentir sua extraordinária quietude, firmeza, imensidade e beleza – então o que é que vai acontecer à mente, ao cérebro do homem? Nossos cérebros têm vivido até aqui como resultado da luta pela sobrevivência mediante o conhecimento, e, quando a máquina assumir tudo isso, o que é que vai acontecer? Só há duas possibilidades: o homem se dedicará totalmente ao entretenimento – futebol, esportes, todas as formas de manifestação, frequentando templos e brincando com tudo isso – ou se voltará para dentro de si mesmo
 O cérebro tem extraordinária capacidade, mas foi condicionado e, por isso, é limitado. Não é limitado no mundo tecnológico (computadores e outras coisas), mas é muito limitado em relação à psique. Tem-se dito: “Conheça-se a si mesmo” – entre os gregos, entre os antigos hindus, etc. Estudam a psique dos outros, mas nunca estudam a sua própria. Os psicólogos, os filósofos, os especialistas, nunca estudam a si mesmos. Eles estudam ratos, coelhos, pombos, macacos, etc., mas nunca dizem: “Vou examinar a mim mesmo. Sou ambicioso, ávido, invejoso. Concorro com o meu vizinho, com os meus colegas cientistas.” É a mesma psique que existe há milhares de anos. Embora tecnologicamente, por fora, sejamos maravilhosos, interiormente somos primitivos, não somos? Portanto, o cérebro é limitado, primitivo, no mundo da psique.
 Observe por si mesmo como o cérebro funciona. Ele é o armazém da memória, do passado. Essa memória responde o tempo todo, em termos de gosto e aversão, de justificação, condenação, etc. Ela responde de acordo com o seu condicionamento, cultura, religião, educação, coisas que armazenou. Esse depósito de memória, a partir do qual nasce o pensamento, guia a maior parte da nossa vida. Ele dirige e modela a nossa vida todo o dia, minuto a minuto, consciente ou inconscientemente; ele gera o pensamento, o “eu”, que é a própria essência do pensamento e das palavras.

A habilidade da inteligência é colocar o conhecimento no seu devido lugar. Sem conhecimento não é possível viver nessa civilização tecnológica e quase mecânica, mas ele não transformará o ser humano e sua sociedade. O conhecimento não é a excelência da inteligência; a inteligência pode e deve usar o conhecimento e consequentemente transforma o homem e sua sociedade. A inteligência não é o mero cultivo do intelecto e sua integridade. Ela deriva da compreensão da consciência inteira do homem, você próprio e não uma parte, um segmento separado de você mesmo. O estudo e o entendimento do movimento de sua própria mente e coração dão à luz essa inteligência. Você é o conteúdo de sua consciência; conhecendo-se a si mesmo você conhecerá o universo. Este saber está além da palavra, pois a palavra não é a coisa. A libertação do conhecido, a cada minuto, é a essência da inteligência. É essa inteligência que está em operação no universo se você o deixa em paz. Vocês estão destruindo essa santidade da ordem através de sua própria ignorância. Essa ignorância não é banida por estudos que outros têm feito sobre vocês ou por vocês próprios. Vocês, por vocês mesmos, têm que estudar o conteúdo de sua própria consciência.

A maioria de nós está indiferente a esse extraordinário universo à nossa volta; nunca vemos nem mesmo o oscilar da folha ao vento; nunca prestamos atenção à folhinha da grama, tocamo-la com nossa mão e conhecemos a qualidade da sua existência. Isso não é apenas ser poético, então, por favor, não entrem em um estado emocional especulativo. Eu digo que é essencial ter aquele profundo sentimento pela vida e não ser aprisionado em ramificações intelectuais, discussões, aprovação em exames, citações, e desprezando algo novo afirmando que isso já foi dito. O intelecto não é o caminho. Ele não resolverá nossos problemas; o intelecto não nos dará o sustento que é imperecível. O intelecto pode raciocinar, discutir, chegar a uma conclusão por inferências e assim por diante, mas o intelecto é limitado, pois o intelecto é o resultado do nosso condicionamento. Mas a sensibilidade não. A sensibilidade não tem nenhum condicionamento; ela o leva diretamente para fora do campo dos medos e ansiedades. A mente que não é sensível a tudo a sua volta – à montanha, ao poste telegráfico, a lâmpada, a voz, ao sorriso, tudo – é incapaz de encontrar o que é verdadeiro. -

Em nossa busca por conhecimento, em nossos desejos de posse, estamos perdendo o amor, estamos embotando o sentimento de beleza, a sensibilidade à crueldade; estamos nos tornando mais especializados e menos integrados. A sabedoria não pode ser substituída pelo conhecimento, e nenhuma abundância de explicações, nenhum acúmulo de feitos libertará o homem do sofrimento. O conhecimento é necessário, a ciência tem seu lugar; mas se a mente e o coração são sufocados pelo conhecimento, e se a causa do sofrimento é desconsiderada, a vida torna-se fútil e sem sentido. E não é isso que vem acontecendo com a maioria de nós? Nossa educação vem-nos fazendo mais e mais superficiais, não nos está ajudando a descobrir as camadas mais profundas do ser, e nossas vidas estão cada vez mais desarmoniosas e vazias.A informação, o conhecimento de fatos, embora sempre crescente, é por sua própria natureza limitado. A sabedoria é infinita, ela inclui o conhecimento e o modo de agir; mas nos apossamos de um galho e pensamos que é a árvore inteira. Através do conhecimento da parte, não podemos nunca perceber a alegria do todo. O intelecto nunca pode conduzir ao todo, pois ele é apenas um segmento, uma parte. -

Há uma distinção entre intelecto e inteligência. Intelecto é o pensamento funcionando independentemente da emoção, ao passo que inteligência é a capacidade de sentir tão bem quanto raciocinar; e até que abordemos a vida usando a inteligência ao invés do intelecto apenas, ou com emoção somente, nenhum sistema político ou educacional pode salvar-nos das redes do caos e destruição.O conhecimento não é comparável com a inteligência, conhecimento não é sabedoria. A sabedoria não é comerciável, não é uma mercadoria que possa ser comprada com o preço do aprendizado ou disciplina. A sabedoria não pode ser encontrada em livros; não pode ser acumulada, memorizada ou armazenada. A sabedoria vem com a renúncia do eu. Ter uma mente aberta é mais importante que aprender; e podemos ter uma mente aberta não a abarrotando de informação, mas estando cônscios de nossos próprios pensamentos e sentimentos, observando cuidadosamente a nós mesmos e as influências sobre nós, escutando os outros, prestando atenção ao rico e ao pobre, o poderoso e o humilde. A sabedoria não vem através do medo e da opressão, mas através da observação e da compreensão dos incidentes cotidianos no relacionamento humano. -

Psicologicamente, internamente, é o pensamento necessário? Deve-se entender essa questão muito profundamente. O homem, através de milênios e milênios, tem sido aprisionado nesse padrão. E nesse padrão nunca há liberdade, porque o conhecimento, sendo limitado, nunca pode trazer liberdade. Precisamos de liberdade absoluta para achar aquilo que é eterno – obviamente – libertação de todo apego, que significa libertar-se de todo conhecimento. Portanto o conhecimento, embora necessário numa certa direção, é a coisa mais perigosa que temos internamente. Estamos agora acumulando uma grande quantidade de conhecimento, sobre o universo, sobre a natureza de tudo – cientificamente, analiticamente, arqueologicamente, e assim por diante. E esse conhecimento pode nos estar impedindo de agir como seres humanos totais, completos. -
O conhecimento é absolutamente essencial. Você pode tornar-se dependente dele, afastar-se dele, mas a imensidão do conhecimento é uma necessidade humana. Agora, é o conhecimento necessário ao relacionamento entre seres humanos? Estamos relacionados uns com os outros, somos seres humanos, vivemos na mesma terra, essa é nossa terra, não a terra Cristã, ou Inglesa, ou Indiana, a sua beleza, sua maravilhosa riqueza, ela é nossa para ser desfrutada. E que papel tem o pensamento no relacionamento? Relacionamento significa estar relacionado, relacionamento significa responder um ao outro em liberdade, com sua responsabilidade. Então, que papel tem o pensamento no relacionamento? O pensamento, que é capaz de recordar, imaginar, idealizar, projetar, calcular: Que papel ele tem no relacionamento humano? Ele tem algum papel, afinal? -

A dependência do conhecimento é como qualquer outra dependência; ela oferece uma fuga do medo do vazio, da solidão, da frustração, do medo de ser nada. A luz do conhecimento é uma delicada cobertura sob a qual repousa uma obscuridade que a mente não pode penetrar. A mente é temerosa desse desconhecido, e assim escapa para o conhecimento, para as teorias, esperanças, imaginação; e esse mesmo conhecimento é um obstáculo à compreensão do desconhecido. Pôr de lado o conhecimento é invocar o medo, e negar a mente, que é o único instrumento de percepção que se tem, é ser vulnerável ao sofrimento, ao prazer. Mas não é fácil pôr de lado o conhecimento. Ser ignorante não é ser livre do conhecimento. Ignorância é a falta de autoconsciência; e conhecimento é ignorância quando não há nenhuma compreensão dos caminhos do eu. A compreensão do eu é a libertação do conhecimento. -

Até que nós comecemos a quebrar este círculo vicioso da ignorância que somente cria mais ignorância, a autoconfiança não poderá promover a libertação da dor. Contudo, para entender esta continuidade da ignorância e da dor, cada um tem de se tornar completamente autoconfiante para ser capaz de explorar o desejo, o medo, as tendências, as memórias e assim por diante. A mera autoexpressão não é criatividade, e para se ser verdadeiramente criativo, é necessário entender o processo do eu e então ser livre dele. Através de séria conscientização do que realmente está se expressando, nós começamos a entender as causas limitadas do passado que controlam o presente, e neste entendimento esforçado vem uma libertação da causa da ignorância. A verdadeira autoconfiança, não a autoconfiança com o propósito de uma mera expressão agressiva do eu, pode acontecer somente através da compreensão do processo do desejo, com seus valores limitantes, medos e esperanças; então a autoconfiança tem grande significado, pois através de uma própria conscientização esforçada existe totalidade, plenitude. 

TA falta de compreensão de si próprio é ignorância. Isto é, é preciso discernir como se surge, o que se é, todas as tendências, as reações, os motivos escondidos, as crenças autoimpostas e buscas. Até que cada um entenda isso com profundidade, não pode haver cessação da dor, e a confusão da ação dividida, em econômica e religiosa, pública e privada, continuará. Os problemas humanos que nos perturbam agora desaparecerão somente quando cada um for capaz de discernir o processo autossustentável da ignorância. Para discernir é necessário paciência e consciência constante. - 

Ao perceberem a impermanência do eu, existem aqueles que dizem que o permanente é encontrado quando se joga fora as muitas camadas do eu, o que requer tempo, e então, é necessário reencarnar. O eu, o resultado do desejo, a causa da ignorância e dor, continua enquanto observamos; mas para entender e transcender, não devemos pensar em termos de tempo. Através do tempo o atemporal não é percebido. Esta abordagem da realidade através do gradualismo, através do lento processo evolucionário, através do nascimento e morte não é errônea? Isto não é a racionalização do pensamento condicionado, do adiamento, da preguiça e ignorância? Esta ideia de gradualismo existe, não é mesmo, porque nós não pensamos-sentimos de maneira direta e simples. Nós escolhemos uma explicação satisfatória, uma racionalização do nosso esforço confuso e preguiçoso. Através do pensar condicionado, através do adiamento pode o real ser descoberto? O eu, a causa da ignorância e tristeza - pode tornar-se gradualmente perfeito através do tempo? Ou através do tempo pode o eu dissolver a si próprio? Isto que é em sua própria natureza a causa da ignorância - pode tornar-se iluminado? Ele não deve deixar de existir antes que possa haver luz? Sua cessação é uma questão de tempo, um processo horizontal, ou a iluminação é possível somente quando o pensamento-sentimento abandona este processo horizontal de tempo e pode então pensar-sentir verticalmente, diretamente? Ao longo deste caminho horizontal do tempo, do adiamento, da ignorância, não há verdade; ela pode ser encontrada verticalmente em qualquer ponto ao longo do processo horizontal se o pensamento-sentimento puder sair dele, libertando-se do desejo e do tempo. Esta liberdade não é dependente do tempo, mas da intensidade da consciência e da plenitude do autoconhecimento.
A ignorância existe mesmo quando alguém possui grande conhecimento, uma boa educação, é sofisticado, tem uma grande capacidade em atividades na qual se adquire fama, notoriedade, dinheiro. A ignorância não é dissipada pela acumulação de um grande número de feitos e muita informação – o computador pode fazer tudo isso melhor do que a mente humana. A ignorância é a absoluta falta de autoconhecimento. A maioria de nós é superficial, mesquinho, tem muita tristeza e ignorância como parte da nossa sina. De novo, isto não é um exagero, não é uma suposição, mas um fato real de nossa existência diária. Nós somos ignorantes de nós mesmos e nisso repousa muito sofrimento. Essa ignorância origina toda forma de superstição, perpetua o medo, engendra esperança e desespero e todas as invenções e teorias de uma mente astuta. Portanto a ignorância não só cria sofrimento, mas causa uma grande confusão em nós mesmos.

Um grande número de cientistas no Ocidente tem-se dedicado à questão do cérebro. Eles dizem que estamos usando somente uma parte muito pequena do cérebro. Podemos observar se isto é verdade em nós próprios, pois isto é parte da meditação para descobrir – por nós mesmos – se todo o cérebro ou apenas uma parte muito pequena está operando. Agora, o pensamento é a resposta da memória que tem sido armazenada através do conhecimento; o conhecimento é apreendido através da experiência. Isto é, experiência, conhecimento, memória armazenada no cérebro, então há o pensamento e a ação. Este é o nosso padrão de vida, e todo o processo é baseado nesse movimento. O homem tem feito isso durante os últimos milhões de anos. Ele está aprisionado no ciclo, que é o movimento do pensamento. E dentro dessa área ele tem escolha. Ele pode ir de um canto a outro e dizer, “Esta é minha escolha, este é meu movimento de liberdade” – porém isto está sempre no limitado campo do conhecido. E o conhecimento está sempre acompanhado pela ignorância porque não existe conhecimento completo sobre coisa alguma. Portanto estamos sempre nesse estado contraditório: conhecimento e ignorância.