Quanto mais você está consciente de seus pensamentos-emoções, mais está
ciente do seu ser completo. Então as horas de sono tornam-se uma
intensificação das horas em vigília. Funções conscientes mesmo no assim
chamado sono, das quais estamos bem cientes. Você pensa em um problema
com muito afinco e mesmo assim não consegue resolvê-lo; você “dorme
sobre ele”, frase que frequentemente usamos. De manhã descobrimos que
suas saídas são mais claras, e parece que sabemos o que fazer; ou
percebemos um aspecto novo dele que ajuda a esclarecer o problema. Por
que isto acontece? Podemos atribuir-lhe muito mistério e despropósito,
mas o que acontece? No assim chamado sono, a mente consciente, fina
camada está quieta, talvez receptiva; ela preocupou-se com o problema e
agora, estando consciente, está quieta, a tensão esvaneceu. Então as
incitações das camadas mais profundas da mente são discerníveis e quando
você acorda, o problema parece ter-se tornado mais claro e mais fácil
de resolver. Portanto, quanto mais você está ciente de seus
pensamentos-sentimentos durante o dia, não por uns poucos segundos ou
durante um expediente, a mente torna-se mais calma, alerta, atentamente
passiva, e assim capaz de responder e compreender as insinuações mais
profundas. Mas é difícil estar tão cônscio; a mente consciente não é
usada a tal intensidade. Quanto mais ciente a mente consciente, mais a
mente interior coopera com ela, e assim há compreensão mais profunda e
mais ampla.

Muito tem sido escrito sobre a mente inconsciente, especialmente no
Ocidente. Extraordinária importância lhe tem sido dada. Mas ela é tão
trivial, tão rasteira quanto a mente consciente. Você pode observá-lo
por si próprio. Se você observa verá que o que é chamado inconsciente é o
resíduo da raça, da cultura, da família, de suas próprias motivações e
apetites. Ela está lá, oculta. E a mente consciente está ocupada com a
rotina diária da vida, indo ao escritório, sexo, e assim por diante. Dar
importância a uma ou a outra parece absolutamente estéril. Ambas têm
muito pouca importância, exceto que a mente consciente tem que ter
conhecimento tecnológico para garantir uma subsistência.Esta constante
batalha, ambas incluídas, no nível mais profundo assim como no nível
superficial, é nosso estilo de vida. É um estilo de desordem, de
confusão, contradição, miséria, e para uma mente presa a isso, tentar
meditar é sem sentido, infantil.

Nós dividimos essa consciência em consciente e inconsciente. Estamos
ocupados com um cantinho dela, o qual é a maior parte da nossa vida; e
do resto estamos inconscientes, não sabemos nem mesmo como penetrá-lo.
Nós o notamos somente quando há uma crise, quando há certa demanda
urgente, uma determinada provocação imediata, que tem que ser respondida
imediatamente, somente então agimos como entidades completas. Tendo
dividido a mente em consciente e inconsciente, olhamos a partir do
consciente – que é só uma pequena parte dela – no todo da mente. Agora o
palestrante está perguntando: Existe tal coisa como o inconsciente, com
certeza? Existe algo que esteja oculto, que tem que ser interpretado
através de sonhos, mediante investigação, análise e assim por diante,
que chamamos de inconsciente? Ou é apenas isso, porque você prestou
atenção demais ao cantinho desse campo que chama de consciência e não
prestou atenção ao campo inteiro, não está ciente de todo o conteúdo do
campo. Para penetrá-lo muito cuidadosamente, você tem que olhar sua
própria consciência.

Vejam, nós só temos operado dentro da área do pensamento na medida do
conhecimento. Certo? Existe outra parte, outra área da mente, a qual
inclui o cérebro, que não seja tocada pelo esforço humano, dor,
ansiedade, medo, e toda a violência, todas as coisas que o homem tem
feito através do pensamento? A descoberta dessa área é a meditação. Isso
implica a descoberta de se o pensamento pode chegar a um fim, mas ainda
operar quando necessário, no campo do conhecimento? Precisamos do
conhecimento, caso contrário não podemos funcionar, não seríamos capazes
de falar nem capazes de escrever, e assim por diante. O conhecimento é
necessário para o cérebro funcionar, e seu funcionamento torna-se
neurótico quando o status torna-se de todo importante, o que é a entrada
do pensamento como o “mim”, como status. Portanto o pensamento é
necessário e, todavia a meditação é para descobrir, ou trazer à tona, ou
observar, uma área na qual não haja nenhum movimento do pensamento.
Podem os dois viver juntos, em harmonia, diariamente?

O cérebro tem capacidade infinita; ele é realmente infinito. Essa
capacidade é hoje utilizada tecnologicamente. Tal capacidade tem sido
usada para reunir informações. Essa capacidade tem sido empregada para
armazenar conhecimentos – científicos, políticos, sociais e religiosos. O
cérebro tem ficado ocupado com isso. Então, é precisamente essa função
(essa capacidade tecnológica) que a máquina vai assumir. Quando isso
acontecer, o cérebro – sua capacidade – vai encolher, assim como os meus
braços se eu não os utilizar o tempo todo. A questão é: Se o cérebro
não estiver ativo, se não estiver trabalhando, se não estiver pensando, o
que acontecerá a ele? Ou ele mergulhará no entretenimento – e as
religiões, os rituais e os pujas são entretenimentos – ou se voltará
para a investigação interior. Essa investigação é um movimento infinito.
Essa investigação é religião

Os cientistas estão agora inventando a “máquina mais inteligente de
todas”, um computador superior ao homem em todos os campos. Se a máquina
pode superar o homem, então o que é o homem? O que é você? Qual é o
futuro do homem? Se a máquina pode assumir todas as operações que agora
pertencem ao pensamento, e fazê-las muito mais rapidamente, se pode
aprender muito mais depressa, se pode competir com o homem e, de fato,
fazer tudo o que o homem pode fazer – exceto olhar para a bela estrela
vespertina, solitária no céu, ver e sentir sua extraordinária quietude,
firmeza, imensidade e beleza – então o que é que vai acontecer à mente,
ao cérebro do homem? Nossos cérebros têm vivido até aqui como resultado
da luta pela sobrevivência mediante o conhecimento, e, quando a máquina
assumir tudo isso, o que é que vai acontecer? Só há duas possibilidades:
o homem se dedicará totalmente ao entretenimento – futebol, esportes,
todas as formas de manifestação, frequentando templos e brincando com
tudo isso – ou se voltará para dentro de si mesmo

O cérebro tem extraordinária capacidade, mas foi condicionado e, por
isso, é limitado. Não é limitado no mundo tecnológico (computadores e
outras coisas), mas é muito limitado em relação à psique. Tem-se dito:
“Conheça-se a si mesmo” – entre os gregos, entre os antigos hindus, etc.
Estudam a psique dos outros, mas nunca estudam a sua própria. Os
psicólogos, os filósofos, os especialistas, nunca estudam a si mesmos.
Eles estudam ratos, coelhos, pombos, macacos, etc., mas nunca dizem:
“Vou examinar a mim mesmo. Sou ambicioso, ávido, invejoso. Concorro com o
meu vizinho, com os meus colegas cientistas.” É a mesma psique que
existe há milhares de anos. Embora tecnologicamente, por fora, sejamos
maravilhosos, interiormente somos primitivos, não somos? Portanto, o
cérebro é limitado, primitivo, no mundo da psique.

Observe por si mesmo como o cérebro funciona. Ele é o armazém da
memória, do passado. Essa memória responde o tempo todo, em termos de
gosto e aversão, de justificação, condenação, etc. Ela responde de
acordo com o seu condicionamento, cultura, religião, educação, coisas
que armazenou. Esse depósito de memória, a partir do qual nasce o
pensamento, guia a maior parte da nossa vida. Ele dirige e modela a
nossa vida todo o dia, minuto a minuto, consciente ou inconscientemente;
ele gera o pensamento, o “eu”, que é a própria essência do pensamento e
das palavras.

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A
habilidade da inteligência é colocar o conhecimento no seu devido
lugar. Sem conhecimento não é possível viver nessa civilização
tecnológica e quase mecânica, mas ele não transformará o ser humano e
sua sociedade. O conhecimento não é a excelência da inteligência; a
inteligência pode e deve usar o conhecimento e consequentemente
transforma o homem e sua sociedade. A inteligência não é o mero cultivo
do intelecto e sua integridade. Ela deriva da compreensão da consciência
inteira do homem, você próprio e não uma parte, um segmento separado de
você mesmo. O estudo e o entendimento do movimento de sua própria mente
e coração dão à luz essa inteligência. Você é o conteúdo de sua
consciência; conhecendo-se a si mesmo você conhecerá o universo. Este
saber está além da palavra, pois a palavra não é a coisa. A libertação
do conhecido, a cada minuto, é a essência da inteligência. É essa
inteligência que está em operação no universo se você o deixa em paz.
Vocês estão destruindo essa santidade da ordem através de sua própria
ignorância. Essa ignorância não é banida por estudos que outros têm
feito sobre vocês ou por vocês próprios. Vocês, por vocês mesmos, têm
que estudar o conteúdo de sua própria consciência.
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A
maioria de nós está indiferente a esse extraordinário universo à nossa
volta; nunca vemos nem mesmo o oscilar da folha ao vento; nunca
prestamos atenção à folhinha da grama, tocamo-la com nossa mão e
conhecemos a qualidade da sua existência. Isso não é apenas ser poético,
então, por favor, não entrem em um estado emocional especulativo. Eu
digo que é essencial ter aquele profundo sentimento pela vida e não ser
aprisionado em ramificações intelectuais, discussões, aprovação em
exames, citações, e desprezando algo novo afirmando que isso já foi
dito. O intelecto não é o caminho. Ele não resolverá nossos problemas; o
intelecto não nos dará o sustento que é imperecível. O intelecto pode
raciocinar, discutir, chegar a uma conclusão por inferências e assim por
diante, mas o intelecto é limitado, pois o intelecto é o resultado do
nosso condicionamento. Mas a sensibilidade não. A sensibilidade não tem
nenhum condicionamento; ela o leva diretamente para fora do campo dos
medos e ansiedades. A mente que não é sensível a tudo a sua volta – à
montanha, ao poste telegráfico, a lâmpada, a voz, ao sorriso, tudo – é
incapaz de encontrar o que é verdadeiro. -
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Em
nossa busca por conhecimento, em nossos desejos de posse, estamos
perdendo o amor, estamos embotando o sentimento de beleza, a
sensibilidade à crueldade; estamos nos tornando mais especializados e
menos integrados. A sabedoria não pode ser substituída pelo
conhecimento, e nenhuma abundância de explicações, nenhum acúmulo de
feitos libertará o homem do sofrimento. O conhecimento é necessário, a
ciência tem seu lugar; mas se a mente e o coração são sufocados pelo
conhecimento, e se a causa do sofrimento é desconsiderada, a vida
torna-se fútil e sem sentido. E não é isso que vem acontecendo com a
maioria de nós? Nossa educação vem-nos fazendo mais e mais superficiais,
não nos está ajudando a descobrir as camadas mais profundas do ser, e
nossas vidas estão cada vez mais desarmoniosas e vazias.A informação, o
conhecimento de fatos, embora sempre crescente, é por sua própria
natureza limitado. A sabedoria é infinita, ela inclui o conhecimento e o
modo de agir; mas nos apossamos de um galho e pensamos que é a árvore
inteira. Através do conhecimento da parte, não podemos nunca perceber a
alegria do todo. O intelecto nunca pode conduzir ao todo, pois ele é
apenas um segmento, uma parte. -
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Há
uma distinção entre intelecto e inteligência. Intelecto é o pensamento
funcionando independentemente da emoção, ao passo que inteligência é a
capacidade de sentir tão bem quanto raciocinar; e até que abordemos a
vida usando a inteligência ao invés do intelecto apenas, ou com emoção
somente, nenhum sistema político ou educacional pode salvar-nos das
redes do caos e destruição.O conhecimento não é comparável com a
inteligência, conhecimento não é sabedoria. A sabedoria não é
comerciável, não é uma mercadoria que possa ser comprada com o preço do
aprendizado ou disciplina. A sabedoria não pode ser encontrada em
livros; não pode ser acumulada, memorizada ou armazenada. A sabedoria
vem com a renúncia do eu. Ter uma mente aberta é mais importante que
aprender; e podemos ter uma mente aberta não a abarrotando de
informação, mas estando cônscios de nossos próprios pensamentos e
sentimentos, observando cuidadosamente a nós mesmos e as influências
sobre nós, escutando os outros, prestando atenção ao rico e ao pobre, o
poderoso e o humilde. A sabedoria não vem através do medo e da opressão,
mas através da observação e da compreensão dos incidentes cotidianos no
relacionamento humano. -
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Psicologicamente,
internamente, é o pensamento necessário? Deve-se entender essa questão
muito profundamente. O homem, através de milênios e milênios, tem sido
aprisionado nesse padrão. E nesse padrão nunca há liberdade, porque o
conhecimento, sendo limitado, nunca pode trazer liberdade. Precisamos de
liberdade absoluta para achar aquilo que é eterno – obviamente –
libertação de todo apego, que significa libertar-se de todo
conhecimento. Portanto o conhecimento, embora necessário numa certa
direção, é a coisa mais perigosa que temos internamente. Estamos agora
acumulando uma grande quantidade de conhecimento, sobre o universo,
sobre a natureza de tudo – cientificamente, analiticamente,
arqueologicamente, e assim por diante. E esse conhecimento pode nos
estar impedindo de agir como seres humanos totais, completos. -
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O
conhecimento é absolutamente essencial. Você pode tornar-se dependente
dele, afastar-se dele, mas a imensidão do conhecimento é uma necessidade
humana. Agora, é o conhecimento necessário ao relacionamento entre
seres humanos? Estamos relacionados uns com os outros, somos seres
humanos, vivemos na mesma terra, essa é nossa terra, não a terra Cristã,
ou Inglesa, ou Indiana, a sua beleza, sua maravilhosa riqueza, ela é
nossa para ser desfrutada. E que papel tem o pensamento no
relacionamento? Relacionamento significa estar relacionado,
relacionamento significa responder um ao outro em liberdade, com sua
responsabilidade. Então, que papel tem o pensamento no relacionamento? O
pensamento, que é capaz de recordar, imaginar, idealizar, projetar,
calcular: Que papel ele tem no relacionamento humano? Ele tem algum
papel, afinal? -
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A
dependência do conhecimento é como qualquer outra dependência; ela
oferece uma fuga do medo do vazio, da solidão, da frustração, do medo de
ser nada. A luz do conhecimento é uma delicada cobertura sob a qual
repousa uma obscuridade que a mente não pode penetrar. A mente é
temerosa desse desconhecido, e assim escapa para o conhecimento, para as
teorias, esperanças, imaginação; e esse mesmo conhecimento é um
obstáculo à compreensão do desconhecido. Pôr de lado o conhecimento é
invocar o medo, e negar a mente, que é o único instrumento de percepção
que se tem, é ser vulnerável ao sofrimento, ao prazer. Mas não é fácil
pôr de lado o conhecimento. Ser ignorante não é ser livre do
conhecimento. Ignorância é a falta de autoconsciência; e conhecimento é
ignorância quando não há nenhuma compreensão dos caminhos do eu. A
compreensão do eu é a libertação do conhecimento. -
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Até
que nós comecemos a quebrar este círculo vicioso da ignorância que
somente cria mais ignorância, a autoconfiança não poderá promover a
libertação da dor. Contudo, para entender esta continuidade da
ignorância e da dor, cada um tem de se tornar completamente
autoconfiante para ser capaz de explorar o desejo, o medo, as
tendências, as memórias e assim por diante. A mera autoexpressão não é
criatividade, e para se ser verdadeiramente criativo, é necessário
entender o processo do eu e então ser livre dele. Através de séria
conscientização do que realmente está se expressando, nós começamos a
entender as causas limitadas do passado que controlam o presente, e
neste entendimento esforçado vem uma libertação da causa da ignorância. A
verdadeira autoconfiança, não a autoconfiança com o propósito de uma
mera expressão agressiva do eu, pode acontecer somente através da
compreensão do processo do desejo, com seus valores limitantes, medos e
esperanças; então a autoconfiança tem grande significado, pois através
de uma própria conscientização esforçada existe totalidade, plenitude.
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TA
falta de compreensão de si próprio é ignorância. Isto é, é preciso
discernir como se surge, o que se é, todas as tendências, as reações, os
motivos escondidos, as crenças autoimpostas e buscas. Até que cada um
entenda isso com profundidade, não pode haver cessação da dor, e a
confusão da ação dividida, em econômica e religiosa, pública e privada,
continuará. Os problemas humanos que nos perturbam agora desaparecerão
somente quando cada um for capaz de discernir o processo
autossustentável da ignorância. Para discernir é necessário paciência e
consciência constante. -
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Ao
perceberem a impermanência do eu, existem aqueles que dizem que o
permanente é encontrado quando se joga fora as muitas camadas do eu, o
que requer tempo, e então, é necessário reencarnar. O eu, o resultado do
desejo, a causa da ignorância e dor, continua enquanto observamos; mas
para entender e transcender, não devemos pensar em termos de tempo.
Através do tempo o atemporal não é percebido. Esta abordagem da
realidade através do gradualismo, através do lento processo
evolucionário, através do nascimento e morte não é errônea? Isto não é a
racionalização do pensamento condicionado, do adiamento, da preguiça e
ignorância? Esta ideia de gradualismo existe, não é mesmo, porque nós
não pensamos-sentimos de maneira direta e simples. Nós escolhemos uma
explicação satisfatória, uma racionalização do nosso esforço confuso e
preguiçoso. Através do pensar condicionado, através do adiamento pode o
real ser descoberto? O eu, a causa da ignorância e tristeza - pode
tornar-se gradualmente perfeito através do tempo? Ou através do tempo
pode o eu dissolver a si próprio? Isto que é em sua própria natureza a
causa da ignorância - pode tornar-se iluminado? Ele não deve deixar de
existir antes que possa haver luz? Sua cessação é uma questão de tempo,
um processo horizontal, ou a iluminação é possível somente quando o
pensamento-sentimento abandona este processo horizontal de tempo e pode
então pensar-sentir verticalmente, diretamente? Ao longo deste caminho
horizontal do tempo, do adiamento, da ignorância, não há verdade; ela
pode ser encontrada verticalmente em qualquer ponto ao longo do processo
horizontal se o pensamento-sentimento puder sair dele, libertando-se do
desejo e do tempo. Esta liberdade não é dependente do tempo, mas da
intensidade da consciência e da plenitude do autoconhecimento.
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A
ignorância existe mesmo quando alguém possui grande conhecimento, uma
boa educação, é sofisticado, tem uma grande capacidade em atividades na
qual se adquire fama, notoriedade, dinheiro. A ignorância não é
dissipada pela acumulação de um grande número de feitos e muita
informação – o computador pode fazer tudo isso melhor do que a mente
humana. A ignorância é a absoluta falta de autoconhecimento. A maioria
de nós é superficial, mesquinho, tem muita tristeza e ignorância como
parte da nossa sina. De novo, isto não é um exagero, não é uma
suposição, mas um fato real de nossa existência diária. Nós somos
ignorantes de nós mesmos e nisso repousa muito sofrimento. Essa
ignorância origina toda forma de superstição, perpetua o medo, engendra
esperança e desespero e todas as invenções e teorias de uma mente
astuta. Portanto a ignorância não só cria sofrimento, mas causa uma
grande confusão em nós mesmos.
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Um
grande número de cientistas no Ocidente tem-se dedicado à questão do
cérebro. Eles dizem que estamos usando somente uma parte muito pequena
do cérebro. Podemos observar se isto é verdade em nós próprios, pois
isto é parte da meditação para descobrir – por nós mesmos – se todo o
cérebro ou apenas uma parte muito pequena está operando. Agora, o
pensamento é a resposta da memória que tem sido armazenada através do
conhecimento; o conhecimento é apreendido através da experiência. Isto
é, experiência, conhecimento, memória armazenada no cérebro, então há o
pensamento e a ação. Este é o nosso padrão de vida, e todo o processo é
baseado nesse movimento. O homem tem feito isso durante os últimos
milhões de anos. Ele está aprisionado no ciclo, que é o movimento do
pensamento. E dentro dessa área ele tem escolha. Ele pode ir de um canto
a outro e dizer, “Esta é minha escolha, este é meu movimento de
liberdade” – porém isto está sempre no limitado campo do conhecido. E o
conhecimento está sempre acompanhado pela ignorância porque não existe
conhecimento completo sobre coisa alguma. Portanto estamos sempre nesse
estado contraditório: conhecimento e ignorância.
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